7 de mar de 2017

Todi vista pela Natália

 Uma coisa é eu falar de Todi, sou muito suspeita, outra é ler o que outros dizem da minha cidade  que mora no meu coração, vamos ao relato:


"Cara Doris,

Eu sigo faz tempo o blog da Consuelo Blocker, e uma vez ela disse da sua propriedade em Todi. E quando vi as fotos, fiquei maravilhada.

Eu moro em Londres com minha família, já estou aqui faz 3 anos, e sou apaixonada pela Itália, vou frequentemente, e tenho cidadania italiana. E eu estava, desde então, programando para ir a Todi, e conhecer um pouco da Úmbria, já faz 1 ano e meio! No Revéillon de 2015 para 2016, eu tinha reservado pra passar a virada em Todi com meu namorado na época, porque ele é de Sorrento, então passamos Natal lá, e passamos alguns dias em Roma, e seguiríamos para passar a virada em Todi. Mas fiquei com receio de não ser a melhor época pra conhecer a cidade, e acabamos indo pra Firenze. Mas não esqueci e fui agora com meu amigo! E que surpresa!

Ficamos no Fawlty Towers, e adoramos a vista para os campos da Úmbria.. A proprietária Tamara foi uma querida, que falou super bem de você. Aliás, também esbarramos com um jornalista belga e ele conhecia você também..rs! 

Mas estávamos é ansiosos para degustar a culinária umbra. Fomos na Vineria San Fortunato 2 vezes, e ficamos encantados. Pensamos que seria um restaurante perfeito para Londres, porque apesar de acolhedor, e muito local, tem um toque moderno que agradaria muito os londrinos. O Ristorante Umbria foi também uma surpresa, numa sala com lareira e vista de emocionar, num dia ensolarado, que já dava praticamente as boas-vindas à primavera.

O Pane e Vino foi outra escolha que nos levou 2 vezes lá, onde descobrimos o delicioso Montefalco Rosso, que deixou um sabor de quero mais. Olha, já comi bons tiramisú na Itália, que nunca foi minha sobremesa preferida, mas o da Hosteria De La Valle estava estupendo, recomendo sem hesitar.

A Pizzeria Cavour tem aquele ar de restaurante simples que sinto falta em Londres, mas foi o único que nos decepcionou um pouco, talvez reforçou a ideia que eu tenho que pizza boa se come realmente mais ao sul na Itália..rsrs.

Nossas manhãs foram mais felizes com um café da manhã no Bar Pianegiani, com aquele cornetto alla crema com amêndoas, que me fez esquecer sobre as calorias. Outro local que frequentávamos diariamente, seja para uma cioccolata calda com panna no meio da tarde, ou apenas um cappuccino e biscotti de manhã, foi o Bacio di Latte. Atendimento muito cordial, mesinhas com cobertor, aquecedor, e vista pra linda Duomo, numa Itália saudosa, onde as crianças brincam na piazza, o celular não é ator principal e o dolce far niente existe.

Fomos no museu principal da cidade, e descobrimos mais dos santos protetores da cidade, e da importância de San Fortunato para Todi. Lindo. Num dos dias de sol, andamos por todo o entorno da cidade, fomos no mercadinho Conad local, que um dos moradores ficou surpreso que estava aberto aos domingos, e onde comprei chocolates Baci de todos os tipos para me esbaldar em Londres depois. E ah, fomos também na maioria das igrejas! 3 delas ninguém estava. Era só nossa. Acho uma bênção! O silêncio, os pássaros, algo raro. 

Das memórias que fiquei da cidade, com certeza o que me fascinou é o cheiro de Todi. Segundo Andrea Camilleri, com seu personagem Montalbano, e seu dialeto siciliano, a noite tem um odor diferente. Como eles dizem, "a seconda dell´ora la notte cangia odore". Já Todi tem o privilégio de ter cheiro de lenha! Parece que cada casa possui uma lareira, onde o cheiro acolhedor da madeira queimando se embala com o aroma delicioso do tartufo nero que domina a cozinha umbra. Falando em Sicília, posso definir que Todi é a Taormina do centro da Itália! Gostei de como a vi, porque Taormina é também dessas cidades que nos deixa sem palavras. E esse mesmo deslumbre existe numa cidade onde o mar dá lugar ao campo.

E não é só de comida italiana que vive a cidade, os jovens amam a creperia que fica aberta até tarde na Cavour. Abrimos espaço para mais um pecado da gula, e fechamos o pós-jantar com um crepe doce tão delicioso e simples.

Eu conheço bastante a Itália, e AMEI Todi. E agradeço muito a você por me apresentar a essa cidade. Foi a primeira vez na Itália desse meu amigo, e todo mundo perguntava: "Primeira vez na Itália, em Todi?" Hahaha. Mas foi a melhor escolha pra ele, porque ele viveu bem o dolce far niente, o estilo de vida italiano, sabe? A Toscana está ali, colada, mas na Úmbria você sente que é a Toscana só pra você. Nada contra turistas, mas nada contra sentir que a cidade é praticamente toda tua. Senti várias vezes que estava descobrindo um tesouro só pra mim. Em Todi reforça-se a ideia de que é na simplicidade que existe a beleza.

Eu precisava me reconectar com essa Itália. Sou de São Paulo, sou daquelas que adora uma cidade grande. Roma, por exemplo, é das cidades que tenho no coração. Mas Todi causou em mim uma sensação de pensar que talvez, numa outra vida, eu já tive alguma conexão com a cidade. Ou será que porque embaixo da nossa janela tinha um galinheiro, uma vista arrasadora, que mais parecia pintura de quadro, e que me causou certa euforia? 

Qualquer que seja o motivo, o que mais precisávamos era isso, acordar com a galinha cantando, ver uma paisagem campestre da janela, deliciar-se nos carboidratos e apenas reforçar que a felicidade está, realmente, nas pequenas coisas. Todi é felicidade! " 

Beijo!!!!

Natalia


Um comentário:

  1. O relato romanticamente escrito pela Natalia, mais reforça meu desejo de conhecer Todi e você. Ler já foi puro deleite! Parabéns!

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